Desafio todos os participantes e leitores deste blog a fazerem um balanço escrito de 2004 e a publicarem-no no blog, em post ou comentário. Pode ser lista, pode ser só um de cada, do melhor e do pior, e se quiserem do mais médio e do menos médio, enfim, soltemos a letra, sejamos loucos e heróicos e balancemos o ano no início do que ainda não sabemos como vai ser. Pode ser que aproveitemos melhor algumas coisas que estão para vir, se pensarmos no que já passou. Eu por mim vou pensando nisto, foi um ano estranho. Vou pensando.
Escrevamos.
domingo, 2 de janeiro de 2005
terça-feira, 7 de dezembro de 2004
1976 - a propósito de tudo isto, olhe que não, olhe que não...
Ontem vi na RTP Memória o mais famoso debate político de todos os tempos, Cunhal vs. Soares, siderou-me!
Os mediadores fumam entre perguntas e respostas, o Joaquim Letria é um rapaz, o programa faz o seu intervalo para que se possa mudar de bobine, já que é gravado e as limitações técnicas o exigem, cada um fala livremente e o debate dura horas sem fim, sem compromissos posteriores de telenovelas ou publicidade, numa luta fascinante de ideias políticas e intelecto. O compromisso é o esclarecimento do povo e este é mesmo o nome do debate! Fala-se de direita reaccionária, de ordem democrática, de movimento das forças armadas, de regime revolucionário, de liberdades e garatias, fala-se de progressistas e reaccionários, fala-se de vanguarda e conspiração, diz-se que o Sá Carneiro come criancinhas, diz-se que se se é progressista é-se comunista e se não se é comunista, é-se reaccionário, diz-se talvez não, sô tôr, talvez não...
-Se não me deixa falar, a liberdade e os métodos democráticos ficam aqui um bocado em crise!
-Fale, fale, que até gosto muito de o ouvir!
-Devem ser saneados homens que conspirem contra a democracia!
-O Dr. Cunhal tem o hábito de classificar as pessoas.
-Há sabotagem à democracia sim, e vem da direita e estou disposto a lutar contra ela mas também há sabotagens ao governo a partir dos comunistas!
-Pessoas foram espancadas para se fazer passar decretos no Ministério do Trabalho!
-Não diga isso, sô tôr...
-Nós o que queremos é que as terras não voltem para as mãos dos agrários, dos Champallimaud, dos Mello e desses que se diz que já não existem. A terra é dos trabalhadores!
-O povo sabe que eu não minto e o povo tem formas de saber e decidir quem são os progressistas e os reaccionários.
-A terra, a imprensa, a industria é dos trabalhadores, é do povo!
Nesta altura, em 1976, o povo, o velhote da aldeia recôndita, sabia o que era a reforma agrária, compreendia-a, compreendia o que lhe diziam os políticos, o que se passava ao seu redor, qual era o melhor dos caminhos propostos, mesmo que mais tarde se tenha revelado menos do que se esperava... O povo tomava o poder em forma de democracia responsável, consciente, actuante! A democracia e o acto eleitoral pululavam de vida e de vigor nas mãos do povo! Hoje o mesmo povo parece uma virtualidade democrática, um espectro alienado de opinião, despojado do poder, resignado ao sensacionalismo do entretenimento, sem alma, sem intenção, sem fome de esclarecimento. O povo só grita "Isto é um Timor autêntico, isto é um massacre!" nas suas manifestações televisivas de Canas de Senhorim a conselho. O povo não elege, o povo delega o que não quer fazer nem saber, o povo não sabe, o povo não quer saber! Será que a Democracia e o voto em 1976 valiam mais do que hoje, 2004? Hoje pensar e discutir política é inóquo, o voto é um acto fantoche? Não me parece...
Ontem impressionou-me a força de um debate de ideias; hoje são assinados acordos de 20 páginas para determinar como decorrerá o debate, são interrompidas as ideias para intervalos de compromissos publicitários, tudo soa a demagogia, não se acredita em ninguém e eu penso que mudámos todos, não se exige a verdade nem ao povo nem à classe política. E confirmo veementemente o que sempre senti, deve ter sido um tempo fantástico e perigoso este dos governos provisórios, um tempo de conspirações, de abusos, um tempo de ideias e de revolução, onde o melhor e o pior de todos se revela na sua forma mais livre e eu queria muito ter estado lá!
Os mediadores fumam entre perguntas e respostas, o Joaquim Letria é um rapaz, o programa faz o seu intervalo para que se possa mudar de bobine, já que é gravado e as limitações técnicas o exigem, cada um fala livremente e o debate dura horas sem fim, sem compromissos posteriores de telenovelas ou publicidade, numa luta fascinante de ideias políticas e intelecto. O compromisso é o esclarecimento do povo e este é mesmo o nome do debate! Fala-se de direita reaccionária, de ordem democrática, de movimento das forças armadas, de regime revolucionário, de liberdades e garatias, fala-se de progressistas e reaccionários, fala-se de vanguarda e conspiração, diz-se que o Sá Carneiro come criancinhas, diz-se que se se é progressista é-se comunista e se não se é comunista, é-se reaccionário, diz-se talvez não, sô tôr, talvez não...
-Se não me deixa falar, a liberdade e os métodos democráticos ficam aqui um bocado em crise!
-Fale, fale, que até gosto muito de o ouvir!
-Devem ser saneados homens que conspirem contra a democracia!
-O Dr. Cunhal tem o hábito de classificar as pessoas.
-Há sabotagem à democracia sim, e vem da direita e estou disposto a lutar contra ela mas também há sabotagens ao governo a partir dos comunistas!
-Pessoas foram espancadas para se fazer passar decretos no Ministério do Trabalho!
-Não diga isso, sô tôr...
-Nós o que queremos é que as terras não voltem para as mãos dos agrários, dos Champallimaud, dos Mello e desses que se diz que já não existem. A terra é dos trabalhadores!
-O povo sabe que eu não minto e o povo tem formas de saber e decidir quem são os progressistas e os reaccionários.
-A terra, a imprensa, a industria é dos trabalhadores, é do povo!
Nesta altura, em 1976, o povo, o velhote da aldeia recôndita, sabia o que era a reforma agrária, compreendia-a, compreendia o que lhe diziam os políticos, o que se passava ao seu redor, qual era o melhor dos caminhos propostos, mesmo que mais tarde se tenha revelado menos do que se esperava... O povo tomava o poder em forma de democracia responsável, consciente, actuante! A democracia e o acto eleitoral pululavam de vida e de vigor nas mãos do povo! Hoje o mesmo povo parece uma virtualidade democrática, um espectro alienado de opinião, despojado do poder, resignado ao sensacionalismo do entretenimento, sem alma, sem intenção, sem fome de esclarecimento. O povo só grita "Isto é um Timor autêntico, isto é um massacre!" nas suas manifestações televisivas de Canas de Senhorim a conselho. O povo não elege, o povo delega o que não quer fazer nem saber, o povo não sabe, o povo não quer saber! Será que a Democracia e o voto em 1976 valiam mais do que hoje, 2004? Hoje pensar e discutir política é inóquo, o voto é um acto fantoche? Não me parece...
Ontem impressionou-me a força de um debate de ideias; hoje são assinados acordos de 20 páginas para determinar como decorrerá o debate, são interrompidas as ideias para intervalos de compromissos publicitários, tudo soa a demagogia, não se acredita em ninguém e eu penso que mudámos todos, não se exige a verdade nem ao povo nem à classe política. E confirmo veementemente o que sempre senti, deve ter sido um tempo fantástico e perigoso este dos governos provisórios, um tempo de conspirações, de abusos, um tempo de ideias e de revolução, onde o melhor e o pior de todos se revela na sua forma mais livre e eu queria muito ter estado lá!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2004
A outra face da reacção
Sem dúvida que é muito confortável não reagir.
É contra esse conforto que eu luto e por isso gostei tanto das palavras do Daniel Sampaio. Abanar os corpos moles sentados em sofás e a engolir tudo o que a televisão e as play stations lhes dão. Não proponho outra solução porque creio que a única solução possível é devolver às pessoas o interesse pelo futuro do seu país.
Mas creio que ainda mais confortável é reagir à reacção. E para estar de moda, porque parece que está de moda estar de moda, estar em desacordo não fundamentado com certos ideais a que seguramente chamam "revolucionários de gaveta".
Pois eu não considero que seja necessário sair à rua e gritar as frases de moda (muito menos que a democracia está em perigo, porque para mim isso seria uma felicidade já que não acredito nela!) nem pintar cartazes. Ainda que me alegraria ver o povo português unido por uma causa diferente da do futebol...
Considero que faz falta educar. As palavras do Daniel Sampaio e de muitos outros, desde há já algum tempo, ensinam o que é e o que poderia ser. A decisão de quem as lê, não é mais do que isso: a sua própria decisão.
Mas tenho que confessar que me dói profundamente ver pessoas inteligentes e lutadoras , pessoas que conseguiram (por seus méritos mas também porque lhes foi dada a oportunidade de fazer valer esses méritos) atingir um nível social e intelectual muito superior à média, a perder o seu tempo a reagir contra a reacção. A gastar a sua energia em criticar aqueles, que estando tão perdidos como todos os demais, tentam buscar um caminho de escape. E dizem-lhes: "Ó meu parvo olha que por aí não há caminho". E dizem-no muitas vezes sabendo de antemão qual é o melhor caminho, mas continuam sentados na sua confortável pedra a ver como se aproxima a tormenta. E então, quando se encontram totalmente encurralados, começam a atirar pedras à tormenta e a fugir aos tropeções.
Até pode ser que o caminho não exista, mas eu prefiro ser engolida pela tormenta com a satisfação de ter tentado. A minha tentativa não foi a mais inteligente, ou a mais eficaz? É bem possível que não. Mas foi uma tentativa.
A essas mentes brilhantes que descortinam as soluções sem ter que sair do seu confortável sofá, o único que eu peço é que partilhem as suas ideias, que ensinem aqueles que não tiveram a sorte de nascer com esse dom.
Mas que por favor, não atirem pedras para dentro das próprias trincheiras.
Não foram preciso greves gerais para que se convocassem eleições, mas se elas tivessem existido, é possível que que nunca tivesse havido nenhuma crise nos meios de comunicação social, ou que não houvesse um mau funcionamento do programa de colocação de professores, ou que os 6000 contratos para investigadores não tivessem sido afinal convertidos em 6000 bolsas.
Não vai ser preciso ir votar em Fevereiro (para quê sair do sofá?, eu até nem confio em nenhum partido) mas os que o fizerem, por muito poucos que sejam, darão a sua opinião que será delegada nos seus representantes. E se eles lhes falharem , porque somos humanos!, terão todo o direito em pedir-lhes contas. Se o voto for em branco, terão dito claramente que nenhum partido apresentado lhes transmite a confiança de delegar nele as suas opiniões. Os que não tiverem votado, estarão apenas a atirar pedras à tormenta.
É contra esse conforto que eu luto e por isso gostei tanto das palavras do Daniel Sampaio. Abanar os corpos moles sentados em sofás e a engolir tudo o que a televisão e as play stations lhes dão. Não proponho outra solução porque creio que a única solução possível é devolver às pessoas o interesse pelo futuro do seu país.
Mas creio que ainda mais confortável é reagir à reacção. E para estar de moda, porque parece que está de moda estar de moda, estar em desacordo não fundamentado com certos ideais a que seguramente chamam "revolucionários de gaveta".
Pois eu não considero que seja necessário sair à rua e gritar as frases de moda (muito menos que a democracia está em perigo, porque para mim isso seria uma felicidade já que não acredito nela!) nem pintar cartazes. Ainda que me alegraria ver o povo português unido por uma causa diferente da do futebol...
Considero que faz falta educar. As palavras do Daniel Sampaio e de muitos outros, desde há já algum tempo, ensinam o que é e o que poderia ser. A decisão de quem as lê, não é mais do que isso: a sua própria decisão.
Mas tenho que confessar que me dói profundamente ver pessoas inteligentes e lutadoras , pessoas que conseguiram (por seus méritos mas também porque lhes foi dada a oportunidade de fazer valer esses méritos) atingir um nível social e intelectual muito superior à média, a perder o seu tempo a reagir contra a reacção. A gastar a sua energia em criticar aqueles, que estando tão perdidos como todos os demais, tentam buscar um caminho de escape. E dizem-lhes: "Ó meu parvo olha que por aí não há caminho". E dizem-no muitas vezes sabendo de antemão qual é o melhor caminho, mas continuam sentados na sua confortável pedra a ver como se aproxima a tormenta. E então, quando se encontram totalmente encurralados, começam a atirar pedras à tormenta e a fugir aos tropeções.
Até pode ser que o caminho não exista, mas eu prefiro ser engolida pela tormenta com a satisfação de ter tentado. A minha tentativa não foi a mais inteligente, ou a mais eficaz? É bem possível que não. Mas foi uma tentativa.
A essas mentes brilhantes que descortinam as soluções sem ter que sair do seu confortável sofá, o único que eu peço é que partilhem as suas ideias, que ensinem aqueles que não tiveram a sorte de nascer com esse dom.
Mas que por favor, não atirem pedras para dentro das próprias trincheiras.
Não foram preciso greves gerais para que se convocassem eleições, mas se elas tivessem existido, é possível que que nunca tivesse havido nenhuma crise nos meios de comunicação social, ou que não houvesse um mau funcionamento do programa de colocação de professores, ou que os 6000 contratos para investigadores não tivessem sido afinal convertidos em 6000 bolsas.
Não vai ser preciso ir votar em Fevereiro (para quê sair do sofá?, eu até nem confio em nenhum partido) mas os que o fizerem, por muito poucos que sejam, darão a sua opinião que será delegada nos seus representantes. E se eles lhes falharem , porque somos humanos!, terão todo o direito em pedir-lhes contas. Se o voto for em branco, terão dito claramente que nenhum partido apresentado lhes transmite a confiança de delegar nele as suas opiniões. Os que não tiverem votado, estarão apenas a atirar pedras à tormenta.
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
CARTA ABERTA À GERAÇÃO DOS MEUS FILHOS
Por Daniel Sampaio
Meus Amigos: Confio em vocês. Sou a favor do fosso intergeracional e adoro que os mais novos não concordem com os mais velhos.
As sociedades avançam por rupturas, as famílias crescem emocionalmente quando se confrontam sem se afrontarem.
Cresci numa família democrática. Os meus pais estimulavam a discussão com os dois filhos e não se importavam de gastar horas a defender os seus pontos de vista. Foi assim que aos doze anos comecei a entender a democracia, quando o meu irmão, sete anos mais velho, me explicou Humberto Delgado. Não quero recordar-vos Salazar e Caetano. Sei que isso está fora do nosso (meu e vosso) tempo. Apenas quero reivindicar uma coisa: os corajosos da minha geração fizeram o 25 de Abril de 1974 para que vocês, geração dos meus filhos, crescessem em liberdade.
Quando digo a alguém da vossa idade que, há trinta anos, não se podia dizer tudo o que apetecia, quase não acreditam. Compreendo: viveram a poder exclamar o amor e a saudade, a ternura e a raiva. Quando queriam, puderam romper, sem medo, com tudo com que não concordavam.É por isso que peço para estarem muito atentos. Não uso frases do passado, género «fascismo nunca mais» ou «a democracia está em perigo».
Não é verdade, e são expressões que vos causam tédio. Quero apenas dizer-vos que, se não ousarem, falharão no essencial: deixarão de construir uma sociedade melhor para os vossos filhos (nesse aspecto, os «velhos» não falharam, vive-se hoje bem melhor do que na juventude dos meus pais). Pois bem: vejam o «governo» da República.
Portugal transformou-se no paraíso dos humoristas. Existem tantas graças sobre os nossos «governantes», que se atropelam nas cabeças dos criativos de humor. E se tantas vezes não sabemos se a «Sit Down Comedy» de Luís Filipe Borges, neste jornal, ou as páginas do Inimigo Público são notícias a brincar ou descrições realistas, a verdade é que nos assalta a certeza de que Portugal vai mal. Nesta semana vi estudantes espancados e a levarem com gás, como era habitual no meu tempo, mas julgava impossível no vosso tempo; ouvi o director-geral das Prisões a propor a redução das visitas aos presos, para melhorar o problema da droga no sistema prisional; e indignei-me com o ministro da Presidência a falar dos limites à independência, a propósito da televisão pública. Se deixarmos estes factos sem protesto, o risível «governo» que temos proporá mais: voltarão os jactos de tinta e mais prisões sobre estudantes; serão definitivamente proibidas as visitas aos presos, e o problema da droga no sistema será resolvido; os directores de programação das televisões e os directores de alguns jornais reportarão directamente ao ministro da tutela; o insucesso escolar acabará, graças a um despacho da prof. Maria do Carmo Seabra: todos os alunos com duas negativas no Natal serão automaticamente expulsos da escola. E o «governo» continuará a sorrir, centenas de conselheiros de imagem ajeitarão as gravatas dos ministros e o cabelo das ministras, todos dirão que tudo vai bem. Sei que vocês não aguentarão mais. Ouço-vos em toda a parte, por enquanto em surdina, em breve até que a voz vos doa.
E por isso vos peço: ajudem a derrubar este governo. Pela verdade e dignidade da vossa geração. Para que, tal como os vossos pais quando contaram 1974, possam dizer aos vossos filhos: sabes, fizemos um segundo 25 de Abril, só com arte e coragem, e o governo foi-se embora.
Com toda a v(n)ossa força Daniel Sampaio
Meus Amigos: Confio em vocês. Sou a favor do fosso intergeracional e adoro que os mais novos não concordem com os mais velhos.
As sociedades avançam por rupturas, as famílias crescem emocionalmente quando se confrontam sem se afrontarem.
Cresci numa família democrática. Os meus pais estimulavam a discussão com os dois filhos e não se importavam de gastar horas a defender os seus pontos de vista. Foi assim que aos doze anos comecei a entender a democracia, quando o meu irmão, sete anos mais velho, me explicou Humberto Delgado. Não quero recordar-vos Salazar e Caetano. Sei que isso está fora do nosso (meu e vosso) tempo. Apenas quero reivindicar uma coisa: os corajosos da minha geração fizeram o 25 de Abril de 1974 para que vocês, geração dos meus filhos, crescessem em liberdade.
Quando digo a alguém da vossa idade que, há trinta anos, não se podia dizer tudo o que apetecia, quase não acreditam. Compreendo: viveram a poder exclamar o amor e a saudade, a ternura e a raiva. Quando queriam, puderam romper, sem medo, com tudo com que não concordavam.É por isso que peço para estarem muito atentos. Não uso frases do passado, género «fascismo nunca mais» ou «a democracia está em perigo».
Não é verdade, e são expressões que vos causam tédio. Quero apenas dizer-vos que, se não ousarem, falharão no essencial: deixarão de construir uma sociedade melhor para os vossos filhos (nesse aspecto, os «velhos» não falharam, vive-se hoje bem melhor do que na juventude dos meus pais). Pois bem: vejam o «governo» da República.
Portugal transformou-se no paraíso dos humoristas. Existem tantas graças sobre os nossos «governantes», que se atropelam nas cabeças dos criativos de humor. E se tantas vezes não sabemos se a «Sit Down Comedy» de Luís Filipe Borges, neste jornal, ou as páginas do Inimigo Público são notícias a brincar ou descrições realistas, a verdade é que nos assalta a certeza de que Portugal vai mal. Nesta semana vi estudantes espancados e a levarem com gás, como era habitual no meu tempo, mas julgava impossível no vosso tempo; ouvi o director-geral das Prisões a propor a redução das visitas aos presos, para melhorar o problema da droga no sistema prisional; e indignei-me com o ministro da Presidência a falar dos limites à independência, a propósito da televisão pública. Se deixarmos estes factos sem protesto, o risível «governo» que temos proporá mais: voltarão os jactos de tinta e mais prisões sobre estudantes; serão definitivamente proibidas as visitas aos presos, e o problema da droga no sistema será resolvido; os directores de programação das televisões e os directores de alguns jornais reportarão directamente ao ministro da tutela; o insucesso escolar acabará, graças a um despacho da prof. Maria do Carmo Seabra: todos os alunos com duas negativas no Natal serão automaticamente expulsos da escola. E o «governo» continuará a sorrir, centenas de conselheiros de imagem ajeitarão as gravatas dos ministros e o cabelo das ministras, todos dirão que tudo vai bem. Sei que vocês não aguentarão mais. Ouço-vos em toda a parte, por enquanto em surdina, em breve até que a voz vos doa.
E por isso vos peço: ajudem a derrubar este governo. Pela verdade e dignidade da vossa geração. Para que, tal como os vossos pais quando contaram 1974, possam dizer aos vossos filhos: sabes, fizemos um segundo 25 de Abril, só com arte e coragem, e o governo foi-se embora.
Com toda a v(n)ossa força Daniel Sampaio
sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Lindo!!!
Acordo Ortográfico prestes a entrar em vigor
«Com a ratificação praticamente concluída, o mais provável é que no início do próximo ano se tornem oficiais as alterações à língua portuguesa acordadas pelos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
(...)
Entre as alterações com a aplicação do acordo ortográfico contam-se a eliminação das consoantes mudas como o 'P' em óptimo e o 'C' em directo.
Quanto às palavras compostas que até agora eram ligadas por hífen... o hífen desaparecerá e as duas palavras passarão a uma única.»
«Com a ratificação praticamente concluída, o mais provável é que no início do próximo ano se tornem oficiais as alterações à língua portuguesa acordadas pelos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
(...)
Entre as alterações com a aplicação do acordo ortográfico contam-se a eliminação das consoantes mudas como o 'P' em óptimo e o 'C' em directo.
Quanto às palavras compostas que até agora eram ligadas por hífen... o hífen desaparecerá e as duas palavras passarão a uma única.»
Até o Camões trocou a pala de olho!!!
Mas... até me parece bastante interessante numa perspectiva futura em que o Português se torne uma língua internacional.
Parafraseando Fernando Pessoa: "A minha pátria é a língua portuguesa."
terça-feira, 9 de novembro de 2004
O Aquecedor
- Ouviste o que disse o aquecedor?
- Como?
- Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é um aquecedor, não fala!!!
- Shut!... Não ouves o murmúrio?... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é o barulho da electricidade a passar...
- Shut!... Escuta!...
- Deixa-te de tretas. Vamos embora!
- Não posso.
- Não podes?!?...
- Tenho de ficar ao pé da luz. Está a querer dizer-me qualquer coisa! É importante!...
- Importante?!? Ainda acabas é na Casa Amarela a apanhar choques eléctricos...
- Pois eu acho que há aqui uma entidade qualquer, um ser de outra dimensão, uma energia cósmica, a tentar estabelecer contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explosões de luz... Isto não é electricidade!
- Não!... Isso não é electricidade... São miolos a fritar!
- O quê?
- Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor...
- Por acaso estou cheio de frio!... Não queres ligar o aquecedor?
- Mas tens o aquecedor no máximo! Nem sei como não te queimas, aí tão perto...
- Shut!... Escuta!...
- Bom, vou-me embora! Depois conta-me o que te disse o ET...
(Mão Morta)
- Como?
- Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é um aquecedor, não fala!!!
- Shut!... Não ouves o murmúrio?... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é o barulho da electricidade a passar...
- Shut!... Escuta!...
- Deixa-te de tretas. Vamos embora!
- Não posso.
- Não podes?!?...
- Tenho de ficar ao pé da luz. Está a querer dizer-me qualquer coisa! É importante!...
- Importante?!? Ainda acabas é na Casa Amarela a apanhar choques eléctricos...
- Pois eu acho que há aqui uma entidade qualquer, um ser de outra dimensão, uma energia cósmica, a tentar estabelecer contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explosões de luz... Isto não é electricidade!
- Não!... Isso não é electricidade... São miolos a fritar!
- O quê?
- Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor...
- Por acaso estou cheio de frio!... Não queres ligar o aquecedor?
- Mas tens o aquecedor no máximo! Nem sei como não te queimas, aí tão perto...
- Shut!... Escuta!...
- Bom, vou-me embora! Depois conta-me o que te disse o ET...
(Mão Morta)
segunda-feira, 8 de novembro de 2004
A sequela do Estrume
A sequela do Estrume
Hoje tou fodido!...
No nosso lindo passeio, dei cabo do joelho...
Fui ao médico e o gajo receitou-me um anti-inflamatório e disse-me: "andas a arranjar maneira de ir à faca"!
O anti-inflamatório, deu-me cabo do estômago e fiquei com uma gastrite!
Os remédio para o estômago lixaram-me os intestinos, e ainda por cima causam impotência!
Ora, por ter os intestinos mal, passei muito tempo na sanita!
Na sanita apanhei frio e fiquei com gripe!
Por causa da gripe estou com febre, dores de cabeça, dores musculares e tonturas!
Por causa das tonturas bati com o cotovelo na porta!
Ou seja, FDP de fim-de-semana!!!
Se apanha o FDP do médico, vou parti-lo todo!
Hoje tou fodido!
Hoje tou fodido!...
No nosso lindo passeio, dei cabo do joelho...
Fui ao médico e o gajo receitou-me um anti-inflamatório e disse-me: "andas a arranjar maneira de ir à faca"!
O anti-inflamatório, deu-me cabo do estômago e fiquei com uma gastrite!
Os remédio para o estômago lixaram-me os intestinos, e ainda por cima causam impotência!
Ora, por ter os intestinos mal, passei muito tempo na sanita!
Na sanita apanhei frio e fiquei com gripe!
Por causa da gripe estou com febre, dores de cabeça, dores musculares e tonturas!
Por causa das tonturas bati com o cotovelo na porta!
Ou seja, FDP de fim-de-semana!!!
Se apanha o FDP do médico, vou parti-lo todo!
Hoje tou fodido!
quinta-feira, 28 de outubro de 2004
ALGO ESTÁ MAL NO REINO DE PORTUGAL
se não vejam o seguinte comentário publicado no "Público" de hoje:
http://jornal.publico.pt/2004/10/28/sotexto/EspacoPublico/OEDIT.html
Sinto-me na obrigação de fazer qualquer coisa. Sei lá... fazer explodir uma bomba de merda no centro das principais cidades do país, de tal forma que fique escrito no chão com letras fedorentas:
ACORDAI PORTUGUESES!
sábado, 23 de outubro de 2004
O simples prazer de deitar conversa fora
Há prazeres simples que nos dão satisfações simples. Não quero nem vou tentar descrevê-los ou enumerá-los... são muitos.
Mas um é, definitivamente, mandar conversa fora com os amigos.
Assim... fora... já está!
Será necessário mais?
Para mim chega, pelo menos para hoje.
Mas um é, definitivamente, mandar conversa fora com os amigos.
Assim... fora... já está!
Será necessário mais?
Para mim chega, pelo menos para hoje.
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Medo
Tenho medo de não estar suficientemente viva para poder morrer em paz.
Tenho medo que o mundo seja mesmo tão mau como me mostram.
Tenho medo que o ar deixe de vibrar na minha garganta e que as minhas palavras se percam em preconceitos inúteis.
Tenho medo que o teclado do meu computador deixe de existir e eu me limite a poder usar o rato.
Tenho medo que se construa uma máquina que absorva gritos e que seque lágrimas.
Tenho medo de perder as forças no dia em que decidir mudar o curso dos rios.
Tenho medo que um dedo baste para que se cortem muitos outros.
Tenho medo que roubem a Lua e que ponham um olho gigante no seu lugar.
Tenho medo de acordar um dia sem sentir medo...
Tenho medo que o mundo seja mesmo tão mau como me mostram.
Tenho medo que o ar deixe de vibrar na minha garganta e que as minhas palavras se percam em preconceitos inúteis.
Tenho medo que o teclado do meu computador deixe de existir e eu me limite a poder usar o rato.
Tenho medo que se construa uma máquina que absorva gritos e que seque lágrimas.
Tenho medo de perder as forças no dia em que decidir mudar o curso dos rios.
Tenho medo que um dedo baste para que se cortem muitos outros.
Tenho medo que roubem a Lua e que ponham um olho gigante no seu lugar.
Tenho medo de acordar um dia sem sentir medo...
segunda-feira, 18 de outubro de 2004
[5] Os preparativos
O careca-filho-da-mãe leva as lanternas – dizem que não é preciso, as cavernas têm luz eléctrica. – Então vamos todos morrer antes de reclamarmos a invenção da coca-cola. Quem nos mandou a este buraco, general? – Foi o homem da porta 24, aquele das laranjas e da mala misteriosa.
- O Homem da porta 24 falou-nos de uma hipótese remota de sairmos ilesos dos túneis. Houve um dia em que a montanha, pela primeira vez, arrotou um homem. Na verdade já lá esteve um tal de Mr. Lizardball e o sujeito não é nenhum super herói. Pelos vistos, lá dentro, não podemos correr muito e o que temos de fazer é...
- Sim?
- É simplesmente seguir as migalhas e, às apalpadelas lá descobrir que o nosso lugar não é aquele.
- Só isso? E não o trouxeram? Queremos que o sr. Lizardball nos acompanhe, eu não vou entrar ali sem ele.
- Não te preocupes. O gajo estará a observar-nos, está a observar-nos neste preciso momento... e talvez nos dê mais algumas dicas. – Como? – Perguntou a Catarina. – Não adianta explicar-te agora... tu nem sabes o que é um blog...
- O Homem da porta 24 falou-nos de uma hipótese remota de sairmos ilesos dos túneis. Houve um dia em que a montanha, pela primeira vez, arrotou um homem. Na verdade já lá esteve um tal de Mr. Lizardball e o sujeito não é nenhum super herói. Pelos vistos, lá dentro, não podemos correr muito e o que temos de fazer é...
- Sim?
- É simplesmente seguir as migalhas e, às apalpadelas lá descobrir que o nosso lugar não é aquele.
- Só isso? E não o trouxeram? Queremos que o sr. Lizardball nos acompanhe, eu não vou entrar ali sem ele.
- Não te preocupes. O gajo estará a observar-nos, está a observar-nos neste preciso momento... e talvez nos dê mais algumas dicas. – Como? – Perguntou a Catarina. – Não adianta explicar-te agora... tu nem sabes o que é um blog...
Do caos e dos coabitantes
Como reza a profecia: quando os heterónimos apareceram a dúvida e o mistério se instalaram. A partir daí a discussão perdeu os limites impostos por qualquer pseudo-Mahoma que alguém criou mas que ninguém conhece embora se lhe confira um certo nível de autoridade e legitimidade para a exercer.
O anonimato é perfeito mas delicado enquanto fascinante, permite o exercício de todas as liberdades mesmo as não permitidas. A delicadeza reside na impossibilidade da imputação de culpas e desculpas enquanto o fascino reside na mesma impossibilidade acrescentando a pitada de condimento (por vezes em quantidade e outras vezes até demais) que anima a própria discussão. Óptimo! Que saboroso que é!
Mas que fazer quando os ideais se confrontam?
Poderemos continuar na ânsia da discussão altiva, intelectual, alomórfica, sem, no entanto, optar definitivamente pelo anonimato ou não?
Poderá a liberdade dos identificados prevalecer coabitando com os não-identificados?
Poderão os primeiros e segundos continuar no caminho do mesmo ideal sendo uns coagidos a limites de mundos terceiros e os segundos coagidos apenas ao carácter deles mesmos?
Será viável aceitar que esta coabitação seja saudável permitindo que, em última análise, os segundos (controlados por ninguém senão eles mesmos) tenham o poder de afectar directamente e com efeitos menos positivos a identidade identificada dos primeiros? Mesmo ao ponto de extravasarem as fronteiras da virtualidade e invadirem mundos terceiros, inclusive, o real?
Há muito que faço o esforço e ceder à tentação do heterónimo sem, no entanto, ter sido crítico quanto ao uso dessa ardilosa ferramenta por outros coabitantes. Acho que a coragem reside na identificação, na verdadeira afirmação sem medos e consciente da possibilidade de outros impactos (no aquém ou mesmo no além) porque, no fundo, assumo a liberdade de expressão bem como a responsabilidade dela.
Portanto, é no meu entender, chegada a altura de repensar visto que os universos cresceram de ambos os lados das perspectivas. Foram conquistados adeptos de para ambos os lados da barricada que se começa a formar. Tal como foram reconvertidos uns e outros de um e outro lado para outro e um lado. O caos evoluiu e é o caos que promove a evolução no seu círculo em constantes dualidade que o caracteriza, paradoxalmente, tanto como virtuoso com vicioso.
E vos coloco a final questão: Quando foi que nos perdemos?
Não perdemos, dizeis alguns de vós, então como foi que nos separámos?
Vejo que estamos todos no mesmo barco mas que alguns se dizem que não mais progredimos no mesmo sentido que inicialmente idealizámos. Será que esse ideal se encontra, por força de realidade e da evolução, desactualizado?
Exijo-vos uma resposta não por vocês, não por mim, mas por uma sequela que, se existiu, não me parece que exista agora.
Porque ou estrume é merda ou estrume é bosta. E se o conteúdo vos parece o mesmo (e é!) não o é a forma! E, na forma, está o maior dos segredos sem (nunca, jamais, em tempo algum) esquecer o conteúdo: caca.
Bem hajam,
O anonimato é perfeito mas delicado enquanto fascinante, permite o exercício de todas as liberdades mesmo as não permitidas. A delicadeza reside na impossibilidade da imputação de culpas e desculpas enquanto o fascino reside na mesma impossibilidade acrescentando a pitada de condimento (por vezes em quantidade e outras vezes até demais) que anima a própria discussão. Óptimo! Que saboroso que é!
Mas que fazer quando os ideais se confrontam?
Poderemos continuar na ânsia da discussão altiva, intelectual, alomórfica, sem, no entanto, optar definitivamente pelo anonimato ou não?
Poderá a liberdade dos identificados prevalecer coabitando com os não-identificados?
Poderão os primeiros e segundos continuar no caminho do mesmo ideal sendo uns coagidos a limites de mundos terceiros e os segundos coagidos apenas ao carácter deles mesmos?
Será viável aceitar que esta coabitação seja saudável permitindo que, em última análise, os segundos (controlados por ninguém senão eles mesmos) tenham o poder de afectar directamente e com efeitos menos positivos a identidade identificada dos primeiros? Mesmo ao ponto de extravasarem as fronteiras da virtualidade e invadirem mundos terceiros, inclusive, o real?
Há muito que faço o esforço e ceder à tentação do heterónimo sem, no entanto, ter sido crítico quanto ao uso dessa ardilosa ferramenta por outros coabitantes. Acho que a coragem reside na identificação, na verdadeira afirmação sem medos e consciente da possibilidade de outros impactos (no aquém ou mesmo no além) porque, no fundo, assumo a liberdade de expressão bem como a responsabilidade dela.
Portanto, é no meu entender, chegada a altura de repensar visto que os universos cresceram de ambos os lados das perspectivas. Foram conquistados adeptos de para ambos os lados da barricada que se começa a formar. Tal como foram reconvertidos uns e outros de um e outro lado para outro e um lado. O caos evoluiu e é o caos que promove a evolução no seu círculo em constantes dualidade que o caracteriza, paradoxalmente, tanto como virtuoso com vicioso.
E vos coloco a final questão: Quando foi que nos perdemos?
Não perdemos, dizeis alguns de vós, então como foi que nos separámos?
Vejo que estamos todos no mesmo barco mas que alguns se dizem que não mais progredimos no mesmo sentido que inicialmente idealizámos. Será que esse ideal se encontra, por força de realidade e da evolução, desactualizado?
Exijo-vos uma resposta não por vocês, não por mim, mas por uma sequela que, se existiu, não me parece que exista agora.
Porque ou estrume é merda ou estrume é bosta. E se o conteúdo vos parece o mesmo (e é!) não o é a forma! E, na forma, está o maior dos segredos sem (nunca, jamais, em tempo algum) esquecer o conteúdo: caca.
Bem hajam,
quinta-feira, 14 de outubro de 2004
A história do Ratolino
O que se faz noutros blogs:
http://tascadacultura.blogspot.com/2004_10_01_tascadacultura_archive.html
http://tascadacultura.blogspot.com/2004_10_01_tascadacultura_archive.html
terça-feira, 12 de outubro de 2004
sexta-feira, 8 de outubro de 2004
Mamã, porque é que o Porco dos Túneis fica sempre em primeiro lugar????
Até no nosso blog já há tachos? Quem é o teu loby El Nojo? Quem é ? Quem é? Quantos são?
O princípio do contraditório
Não está aqui em causa a defesa dos comentários que Marcelo faz. O que está em causa é, como dizia Voltaire, o direito dele fazer esses comentários.
Isso é o que tu dizes.
Só com muito descaramento o governo se lembrou agora de criticar o formato dos seus comentários.
Descarado és tu, pá.
Marcelo é um dos militantes mais antigos do PSD.
PPD/PSD, vê lá se aprendes. És mesmo parvalhão.
Foi presidente deste partido. Está bem abelha Faz estes comentários assim há quatro anos e meio sem nunca o PSD se ter queixado.
És um caixa d'óculos.
Ajudou à festa do fim do guterrismo.
Caixa d'óculos! Caixa d'óculos!
Levou o barrosismo ao colo, justificando as incompetências do anterior governo com "problemas de comunicação".
Não tou-te a ouvir! Tou a tapar os ouvidos! La-la-la-lalala!
Só agora, quando o santanismo não leva ainda três meses, é que o PSD descobriu os problemas com a falta de contraditório e a extensão dos comentários dominicais.
Olha! Olha! Tens macacos na nariz. Seu ranhoso, vai-te assoar!
E, para todos os efeitos, provocou o seu fim.
Cuecas às bolinhas! Mijas na cama!
À Media Capital só podem pedir responsabilidades os accionistas e a Alta-autoridade para a Comunicação Social.
Não és filho dos teus pais, piolhoso! A tua mãe encontrou-te no lixo!
Ao governo temos de pedir nós.
Cócó frito! Lombriga assada! Nhã nhã nhã!
Isso é o que tu dizes.
Só com muito descaramento o governo se lembrou agora de criticar o formato dos seus comentários.
Descarado és tu, pá.
Marcelo é um dos militantes mais antigos do PSD.
PPD/PSD, vê lá se aprendes. És mesmo parvalhão.
Foi presidente deste partido. Está bem abelha Faz estes comentários assim há quatro anos e meio sem nunca o PSD se ter queixado.
És um caixa d'óculos.
Ajudou à festa do fim do guterrismo.
Caixa d'óculos! Caixa d'óculos!
Levou o barrosismo ao colo, justificando as incompetências do anterior governo com "problemas de comunicação".
Não tou-te a ouvir! Tou a tapar os ouvidos! La-la-la-lalala!
Só agora, quando o santanismo não leva ainda três meses, é que o PSD descobriu os problemas com a falta de contraditório e a extensão dos comentários dominicais.
Olha! Olha! Tens macacos na nariz. Seu ranhoso, vai-te assoar!
E, para todos os efeitos, provocou o seu fim.
Cuecas às bolinhas! Mijas na cama!
À Media Capital só podem pedir responsabilidades os accionistas e a Alta-autoridade para a Comunicação Social.
Não és filho dos teus pais, piolhoso! A tua mãe encontrou-te no lixo!
Ao governo temos de pedir nós.
Cócó frito! Lombriga assada! Nhã nhã nhã!
quinta-feira, 7 de outubro de 2004
LIBERDADE DE EXPRESSÃO? SIM, MAS SE EU QUISER...
Sinto-me orgulhosa do nosso governo!
Parabéns Sr. Santana, ou Lopes como desejar. Conseguiu fazer um trabalho estupendo... o insurrecto do Marcelo Rebelo de Sousa já há tempo que andava a produzir pruridos na consciência dos portugueses. E ai de nós alimentar esse tipo de sarna... um perigo! Nós quero-mo-los é sosegadinhos e burrinhos. Felizes com "Quintas das Celebridades" e cª. Ó Sr. Primeiro ministro, já ponderou a possibilidade de participar na próxima edição do Big Brother? Isso é que era...o seu índice de popularidade subia logo! Talvez conseguisse igualar o da sua Ex e o das suas ricas filhas!
Bom, mas voltando ao que interessa. Muito obrigada por manter este nível são de discussão pública, nem muito nem pouco... o melhor é nada! Eu se estivesse no seu lugar, não ficava descansado com esse tal Marcelo... eu era mas é de serviço de escutas para cima. Não vá ele ter uma recaída do tipo telefónico.... como o desgraçado do presidente da PJ. E um conselho... tenha cuidado com o Marques Mendes, parece-me a mim que ele também quer conversa...
Em suma, vou dormir muito mais descansada esta noite...
Parabéns Sr. Santana, ou Lopes como desejar. Conseguiu fazer um trabalho estupendo... o insurrecto do Marcelo Rebelo de Sousa já há tempo que andava a produzir pruridos na consciência dos portugueses. E ai de nós alimentar esse tipo de sarna... um perigo! Nós quero-mo-los é sosegadinhos e burrinhos. Felizes com "Quintas das Celebridades" e cª. Ó Sr. Primeiro ministro, já ponderou a possibilidade de participar na próxima edição do Big Brother? Isso é que era...o seu índice de popularidade subia logo! Talvez conseguisse igualar o da sua Ex e o das suas ricas filhas!
Bom, mas voltando ao que interessa. Muito obrigada por manter este nível são de discussão pública, nem muito nem pouco... o melhor é nada! Eu se estivesse no seu lugar, não ficava descansado com esse tal Marcelo... eu era mas é de serviço de escutas para cima. Não vá ele ter uma recaída do tipo telefónico.... como o desgraçado do presidente da PJ. E um conselho... tenha cuidado com o Marques Mendes, parece-me a mim que ele também quer conversa...
Em suma, vou dormir muito mais descansada esta noite...
quarta-feira, 6 de outubro de 2004
O porco dos túneis
Há o porco dos túneis da montanha, uma besta infernal com dentes de javali ensanguentados, focinho esguio e javardo de uma criatura que acabou de se deliciar com o último forasteiro que se aventurou pelos ditos túneis. Indo em grupos ou sozinhos, todos sucumbem às presas infernais e implacáveis do monstro porco. Não entrem aí, dizem os velhos do fundo da encosta, a montanha está protegida, fujam dela que vos come. O mais novo olha para eles; ainda na semana passada lá entrou um checheno com uma mala e uma mochila e desapareceu nas entranhas. No fim do festim a montanha não o devolveu, apenas arrotou três dentes de ouro.
O porco e a montanha guardam um segredo – as chamadas câmaras do vulcão. No fundo é um labirinto de túneis com um porco hediondo a guardá-los. Qual a razão da invasão de tantos forasteiros ao interior da montanha? É o seu intuito em descobrir o segredo das câmaras do vulcão. E porquê um porco? Bem, foi escolhido um destes porque não é esquisito com a sua dieta, come tudo, até as pedras se estas se mexerem. Só não gosta de ouro – foi assim concebido para não ser subornado.
Em suma: o segredo das câmaras do vulcão está lá inexpugnável... Se calhar nem está.
O porco e a montanha guardam um segredo – as chamadas câmaras do vulcão. No fundo é um labirinto de túneis com um porco hediondo a guardá-los. Qual a razão da invasão de tantos forasteiros ao interior da montanha? É o seu intuito em descobrir o segredo das câmaras do vulcão. E porquê um porco? Bem, foi escolhido um destes porque não é esquisito com a sua dieta, come tudo, até as pedras se estas se mexerem. Só não gosta de ouro – foi assim concebido para não ser subornado.
Em suma: o segredo das câmaras do vulcão está lá inexpugnável... Se calhar nem está.
segunda-feira, 4 de outubro de 2004
VOLTEI
UFFFFF....
Desculpem a minha demora, é que andei a colocar uns professores aí por Cascos de Rolha. Mas o erro informático fez-me saltar a tampa da garrafa! Nem com rolhas nem com nada!, o diabo do computador está possuído! Agora decidiu jogar ao jogo das cadeiras... é óbvio que vão ganhar os professores de educação física!
Ainda bem que deram esta segunda feira de respiro, porque os desgraçados dos professores já andavam estafados de tanto correr à volta de tão desejados assentos. E os alunos então....uiiiiiii
Vou descansar, que tanta correria até a mim me deu a volta ao miolo, e não sou funcionária púbica, ups, pública.
Desculpem a minha demora, é que andei a colocar uns professores aí por Cascos de Rolha. Mas o erro informático fez-me saltar a tampa da garrafa! Nem com rolhas nem com nada!, o diabo do computador está possuído! Agora decidiu jogar ao jogo das cadeiras... é óbvio que vão ganhar os professores de educação física!
Ainda bem que deram esta segunda feira de respiro, porque os desgraçados dos professores já andavam estafados de tanto correr à volta de tão desejados assentos. E os alunos então....uiiiiiii
Vou descansar, que tanta correria até a mim me deu a volta ao miolo, e não sou funcionária púbica, ups, pública.
sexta-feira, 1 de outubro de 2004
da insanidade ao sistema: bilhete ida e volta
é claro q a insanidade é uma perspectiva diferente sobre uma mesma acção à luz de uma cultura muito própria. Eu posso ser o maior anormal ao dizer "e no cuzinho, tb n?" quando estou com o presidente mas ser um gajo porreiro (doido mas porreiro) qd o digo ao zé.
por isso volto a dizer:
"Seguindo as ideias do falecido etnólogo Michel de Certeau, preferimos concentrar a nossa atenção no uso independente dos produtos culturais de massas, um uso que [...] pode não «derrubar o sistema», mas que nos mantêm intactos e autónomos no interior desse sistema; isso pode ser o melhor a que podemos aspirar. [...] Ir à Disneylândia para atirar ácido ao Mickey e ridicularizá-lo não é revolucionário; ir à Disneylândia em plena consciência de que tudo aquilo é ridículo e nocivo e, mesmo assim, divertir-se de uma forma inocente, de maneira quase incosnciênte e psicótica, é algo completamente diferente.É isso que De Certeau descreve como a «arte de estar no meio» e este é o único caminho para a verdadeira liberdade cultural actual. Fiquemos, então, no meio. Adoremos o Baywatch, o Joe Camel, a revista Wired e até os livros resplandecentes sobre a sociedade do espectáculo, mas não sucumbamos à atracção glamourosa destas coisas."
é verdade, eu quero manter-me no meio...
-é preciso é estar assim mas de uma maneira ilegante
...meio com diveros sentidos. Não quero ser radical, quero estar integrado...
-exacto
...mas ser independente. A cultura de estar no meio de tudo (informado, a par) e de estar no meio (no ambiente, integrado) e de ser do meio (não-extremismo).
É, como dizer, o cúmulo do do deselegantismo é, por si mesmo, ser elengante assim, não sendo revolucionários do sistema, demonstramos a perfeita estupidez do mesmo. Ao sermos loucos elegantemente ou normais deselegantemente, demonstramos que os loucos são os do sistema.
Esses sim, vivem afectados na contigências da conjectura situacional enquanto nós, com a mesma afectação, não lhe somos dependentes e procuramos destrui-la. Apenas demonstramos que não é preciso ser ovelha ou pastor para estar no rebanho, podemos ser cão e, melhor ainda, gato!
Por isso mesmo comprei um fato, elegante e normal mas n é o fato que me faz mas eu que me faço com o fato e, melhor, o que eu faço com o fato. E isso é um facto!!
Não é q seja contra o sistema, aliás, há muito que me agrada nele. Mas sou perfeitamente contra os que se dizem contra e não sabem apresentar alternativas. Disse um dia "não sei o que quero, apenas sei que não quero isto!" e responderam-me "és parvo!" e eu calei-me... a força e certeza do argumento inargumentável era dilacerante! Apercebi-me da estupidez do idiota que critica sem alternativa apenas dizendo "está mal!" e não fazendo a mínima ideia do que "está bem". Como é que alguém pode ter uma linha divisória de mal e bem tão bem definida apenas com a noção do mal? E, tendo apenas essa noção, como pode afirmar que não sabe o que está para além disso?
Só pode ser um tolo que não reflectiu o suficiente (ou não o quis!!!). Como é que provo que o sistema não funciona se opto por não o utilizar? Não é ridículo quando alguém diz "não funciona" sem sequer dizer porquê ou, pelo menos, testar? Que melhor argumento há que o facto?
Eu voto na revolução através do sistema e não contra ele.
Se o sistema não dá resposta para tudo, de que nos serve gritar na rua que não nos serve?
Se o sistema não dá resposta para tudo, não nos serve melhor proveito, demonstrar que não nos serve?
Se o sistema somos nós e se ele não nos serve mas ele cá continua... quem servirá o sistema?Nós?!!
Quem são os loucos, nós ou eles? Eu ou tu? Ou ou e?
Lúcido porque não tenho medo de garrafas vazias? Ou louco porque, sabendo que não tenho medo, actuo-o como se o tivesse?
E actuo para quem? Para mim? Para nós? Ou porque sou louco?
E quem me definiu loucura? Eu, tu ou eles?
É o sistema. Loucamente lúcido. Para o sistema. Foi o sistema.
É um sistema louco que nos chama a um louco sistema.
por isso volto a dizer:
"Seguindo as ideias do falecido etnólogo Michel de Certeau, preferimos concentrar a nossa atenção no uso independente dos produtos culturais de massas, um uso que [...] pode não «derrubar o sistema», mas que nos mantêm intactos e autónomos no interior desse sistema; isso pode ser o melhor a que podemos aspirar. [...] Ir à Disneylândia para atirar ácido ao Mickey e ridicularizá-lo não é revolucionário; ir à Disneylândia em plena consciência de que tudo aquilo é ridículo e nocivo e, mesmo assim, divertir-se de uma forma inocente, de maneira quase incosnciênte e psicótica, é algo completamente diferente.É isso que De Certeau descreve como a «arte de estar no meio» e este é o único caminho para a verdadeira liberdade cultural actual. Fiquemos, então, no meio. Adoremos o Baywatch, o Joe Camel, a revista Wired e até os livros resplandecentes sobre a sociedade do espectáculo, mas não sucumbamos à atracção glamourosa destas coisas."
é verdade, eu quero manter-me no meio...
-é preciso é estar assim mas de uma maneira ilegante
...meio com diveros sentidos. Não quero ser radical, quero estar integrado...
-exacto
...mas ser independente. A cultura de estar no meio de tudo (informado, a par) e de estar no meio (no ambiente, integrado) e de ser do meio (não-extremismo).
É, como dizer, o cúmulo do do deselegantismo é, por si mesmo, ser elengante assim, não sendo revolucionários do sistema, demonstramos a perfeita estupidez do mesmo. Ao sermos loucos elegantemente ou normais deselegantemente, demonstramos que os loucos são os do sistema.
Esses sim, vivem afectados na contigências da conjectura situacional enquanto nós, com a mesma afectação, não lhe somos dependentes e procuramos destrui-la. Apenas demonstramos que não é preciso ser ovelha ou pastor para estar no rebanho, podemos ser cão e, melhor ainda, gato!
Por isso mesmo comprei um fato, elegante e normal mas n é o fato que me faz mas eu que me faço com o fato e, melhor, o que eu faço com o fato. E isso é um facto!!
Não é q seja contra o sistema, aliás, há muito que me agrada nele. Mas sou perfeitamente contra os que se dizem contra e não sabem apresentar alternativas. Disse um dia "não sei o que quero, apenas sei que não quero isto!" e responderam-me "és parvo!" e eu calei-me... a força e certeza do argumento inargumentável era dilacerante! Apercebi-me da estupidez do idiota que critica sem alternativa apenas dizendo "está mal!" e não fazendo a mínima ideia do que "está bem". Como é que alguém pode ter uma linha divisória de mal e bem tão bem definida apenas com a noção do mal? E, tendo apenas essa noção, como pode afirmar que não sabe o que está para além disso?
Só pode ser um tolo que não reflectiu o suficiente (ou não o quis!!!). Como é que provo que o sistema não funciona se opto por não o utilizar? Não é ridículo quando alguém diz "não funciona" sem sequer dizer porquê ou, pelo menos, testar? Que melhor argumento há que o facto?
Eu voto na revolução através do sistema e não contra ele.
Se o sistema não dá resposta para tudo, de que nos serve gritar na rua que não nos serve?
Se o sistema não dá resposta para tudo, não nos serve melhor proveito, demonstrar que não nos serve?
Se o sistema somos nós e se ele não nos serve mas ele cá continua... quem servirá o sistema?Nós?!!
Quem são os loucos, nós ou eles? Eu ou tu? Ou ou e?
Lúcido porque não tenho medo de garrafas vazias? Ou louco porque, sabendo que não tenho medo, actuo-o como se o tivesse?
E actuo para quem? Para mim? Para nós? Ou porque sou louco?
E quem me definiu loucura? Eu, tu ou eles?
É o sistema. Loucamente lúcido. Para o sistema. Foi o sistema.
É um sistema louco que nos chama a um louco sistema.
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