Era outra vez, (que não era aquela vez que era uma vez!), um semáforo que era muito respeitador das regras que parou no seu vermelho...
Hora do Conto: 14 de Maio às 18h00m
domingo, 7 de maio de 2006
segunda-feira, 24 de abril de 2006
quem são os sarahuis?

estive a ver um documentário sobre eles no 1º canal e fiquei comovida. o meu pai chamava sarahui ao meu irmao e índia a mim e eu nao sabia quem eram os sarahuis.
vivem exilados num buraco no deserto da argélia, fugidos há 30 anos da invasão marroquina do seu país, a marcha verde. vivem de ajudas humanitárias, que só lhes dão lentilhas para comer... na sua terra, o sahara ocidental, pescavam para comer. no deserto da argélia pedem fruta e carne para as crianças, para que crescam fortes. vivem no deserto, onde a aridez é cenário híbrido, estéril. em fevereiro deste ano, as chuvas mais fortes de que têm memória, naquele território que não lhes pertence, arruinou as casas de adobe onde viviam. o sonho de todos é voltar para o seu país, o sahara ocidental, e fazerem uma casa de cimento, que custa muito dinheiro. vivem em tendas, depois das chuvas de 5 dias...

andam na escola, a maior parte dos miudos pequenos já é bilingue e tudo...
e dps, no mesmo telejornal, mostram uma mulher solitária portuguesa, infeliz e desencontrada que ja gastou 400 mil contos da fortuna q herdou da familia em casinos, pq se sente infeliz
diz que vai ao casino jogar porque se sente só, e no casino esquece-se de todas as mazelas da sua vida descarrilada.. eu acho q se ela fosse ajudar esta gente, ia saber-lhe melhor do que perder dinheiro no casino....
The lack of visibility of the Saharawi refugee crisis derives from a number of factors. The Saharawi population of several hundred thousand people is small and they live in a forbidding desert environment that is difficult to access. While Western Sahara has rich mineral deposits, which provide the economic incentive for the Moroccan occupation, the potential wealth of the territory does not rise to a level that attracts major international economic interests. The colonial link was with Spain, making the Saharawi story virtually unknown in the English-speaking world. Finally, the Saharawis are Muslim, and this has normally proved to be a barrier to engagement by agencies and individuals in humanitarian movements in the Western industrialized countries.
domingo, 2 de abril de 2006
segunda-feira, 6 de março de 2006
Incompreensão do paradigma da mudança
"Uma extraodinária invenção, mas quem quererá alguma vez usá-la?"
Rutherford Hayes, presidente dos EUA, aquando da participação numa demonstração do telefone entre Washington e Filadélfia, em 1876.
"Os cavalos estão para ficar. O automóvel é apenas uma novidade, uma moda transitória."
Presidente de um banco, aconselhando o advogado da Ford a não investir na empresa. O jurista menosprezou o conselho, investindo 5000 dólares que lhe renderam posteriormente 12,5 milhões.
"640K são suficientes para qualquer pessoa."
Bill Gates, presidente da Microsoft, em 1981.
"Não vejo qualquer razão para que um indivíduo tenha um computador em sua casa."
Ken Olsen, presidente da Digital Equipment, 1977.
Rutherford Hayes, presidente dos EUA, aquando da participação numa demonstração do telefone entre Washington e Filadélfia, em 1876.
"Os cavalos estão para ficar. O automóvel é apenas uma novidade, uma moda transitória."
Presidente de um banco, aconselhando o advogado da Ford a não investir na empresa. O jurista menosprezou o conselho, investindo 5000 dólares que lhe renderam posteriormente 12,5 milhões.
"640K são suficientes para qualquer pessoa."
Bill Gates, presidente da Microsoft, em 1981.
"Não vejo qualquer razão para que um indivíduo tenha um computador em sua casa."
Ken Olsen, presidente da Digital Equipment, 1977.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
Sou vítima do princípio de Peter
Observo-o enquanto requerente de serviços, mas admito-o enquanto prestador.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
100 senso comum
Água e vento são meio sustento
E como dormir é outro meio, afinal não precisamos de mais nada.
ajuda-te que Deus te ajudará
Nada contra o deus, mas se eu me ajudar já não virá tarde a ajuda de deus?
não se pode fazer a par - comer e assoprar
Discordo, a par é que dá jeito: eu como e tu assopras.
o bom médico é o do terceiro dia
Claro, foi ao terceiro dia que ele ressuscitou...
quem acha guarda
Ou quem acha guarda... leva multa
Bónus: um olho no burro e outro no cigano
Esta malta é um bocado violente e xenofoba, eu acho que tanto o burro como o cigano têm direito aos dois olhos
E como dormir é outro meio, afinal não precisamos de mais nada.
ajuda-te que Deus te ajudará
Nada contra o deus, mas se eu me ajudar já não virá tarde a ajuda de deus?
não se pode fazer a par - comer e assoprar
Discordo, a par é que dá jeito: eu como e tu assopras.
o bom médico é o do terceiro dia
Claro, foi ao terceiro dia que ele ressuscitou...
quem acha guarda
Ou quem acha guarda... leva multa
Bónus: um olho no burro e outro no cigano
Esta malta é um bocado violente e xenofoba, eu acho que tanto o burro como o cigano têm direito aos dois olhos
sexta-feira, 25 de novembro de 2005
Fiambre
Se o porco tem apenas 4 pernas conhecidas por todos, de onde vem o fiambre de perna extra?... (medo!)
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
100 senso comum
Todo o burro come palha, é preciso é saber dar-lha.
Claro, se lhe deres uma palha muito curta, não só come a palha como também te come a mão.
Todos os pássaros comem trigo e quem paga é o pardal.
O pardal sempre foi um tipo fixe, é um mãos largas.
Tristezas não pagam dívidas. / Em Outubro, paga tudo.
Nota pessoa: nunca emprestar nada aos Tristezas. Excepto se for em Outubro.
Escuta o conselho dos outros e segue o teu.
Mais vale dizer que o conselho dos outros não vale nada, se não é para seguir… Mas se este é um conselho a seguir e se não é meu, como posso seguí-lo?
Sei que não é meu conselho, portanto se o sigo não o estou a seguir, porque me manda seguir o meu conselho que, por sua vez, não é este. Sigo sem perceber…
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.
Imagina se o coxo não fosse coxo… ninguém o apanhava!
Bónus:
Mais vale um toma do que dois te darei.
Depende do que oferecem, quando andava na primária tinha muitos “colegas” que sempre que diziam “toma” eu preferia que dissessem duas vezes “te darei”, sempre dava mais tempo para preparar a fuga.
Claro, se lhe deres uma palha muito curta, não só come a palha como também te come a mão.
Todos os pássaros comem trigo e quem paga é o pardal.
O pardal sempre foi um tipo fixe, é um mãos largas.
Tristezas não pagam dívidas. / Em Outubro, paga tudo.
Nota pessoa: nunca emprestar nada aos Tristezas. Excepto se for em Outubro.
Escuta o conselho dos outros e segue o teu.
Mais vale dizer que o conselho dos outros não vale nada, se não é para seguir… Mas se este é um conselho a seguir e se não é meu, como posso seguí-lo?
Sei que não é meu conselho, portanto se o sigo não o estou a seguir, porque me manda seguir o meu conselho que, por sua vez, não é este. Sigo sem perceber…
Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo.
Imagina se o coxo não fosse coxo… ninguém o apanhava!
Bónus:
Mais vale um toma do que dois te darei.
Depende do que oferecem, quando andava na primária tinha muitos “colegas” que sempre que diziam “toma” eu preferia que dissessem duas vezes “te darei”, sempre dava mais tempo para preparar a fuga.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
[7] No dia em que o céu desapareceu
No dia em que o céu desapareceu, as estrelas esfumaram-se em poeira cintilante que fazia arder os olhos quando tentávamos olhar para cima. Reparámos nisso passados dois minutos após termos saído de casa por causa daquilo que nos pareceu ser uma aurora. Saímos, já as pessoas andavam na rua a navegar, passámos pelos vizinhos e seguimos pela calçada. Entretanto os olhos habituaram-se à poeira sideral – cheirava a estrelas vaporizadas
- onde estavas? Não viste aquilo?
Havia algum pânico, só podia ser pânico mas um pânico novo e agradável pois a emoção da novidade afogava todos os medos. Podia ser uma catástrofe mas o orgulho que sentíamos por presenciar um fenómeno que nem sequer os deuses gregos calcularam fazia-nos esquecer o dia seguinte. Não adianta vir a ciência porque apesar de real, o fenómeno foi puramente fantástico. Fantástico mas real. Como seria o dia seguinte, sem poeira cintilante e agora, pela primeira vez sem estrelas?
“Brilhamos como estrelas flamejantes, caímos do céu esta noite, amor
- Não é segredo para ninguém.”
- onde estavas? Não viste aquilo?
Havia algum pânico, só podia ser pânico mas um pânico novo e agradável pois a emoção da novidade afogava todos os medos. Podia ser uma catástrofe mas o orgulho que sentíamos por presenciar um fenómeno que nem sequer os deuses gregos calcularam fazia-nos esquecer o dia seguinte. Não adianta vir a ciência porque apesar de real, o fenómeno foi puramente fantástico. Fantástico mas real. Como seria o dia seguinte, sem poeira cintilante e agora, pela primeira vez sem estrelas?
“Brilhamos como estrelas flamejantes, caímos do céu esta noite, amor
- Não é segredo para ninguém.”
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
100 senso comum
Ferida pequena é que dói.
Pois, as grandes matam...
O amor é cego.
Mas cura-se com o casamento
Há que dar tempo ao tempo
Mais?... quer dizer, o tipo já tem o tempo todo e temos que lhe dar o pouco que ele nos deu? Não posso compreender esta generosidade cuja única hipótese é devolver exactamente o que nos deu com a constante sentença de não ficarmos sequer com o tempo que "foi" nosso. Naturalmente, todos se afirmam como não tendo tempo quando, na verdade, o tempo nunca foi deles e, pior ainda, feita a pergunta certa, todos se afirmam cheios de tempo, por exemplo: conheço muitos que dizem ter mais de 20 anos e, no entanto, não têm 5 minutos. Só me resta concluir que são uns arrogantes por terem tanto tempo e egoístas que nem me dão 5 minutos que, afinal, não são deles!...
Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.
Bom... se a perder apenas num minuto ainda não é mau. Mas tenho de a encontrar logo porque consta por aí que quem perde a vida por mais que 15 minutos nunca mais a encontra.
Amigo não empata amigo.
Muito infelizmente é verdade, há sempre um que ganha, portanto ninguém empata.
Pois, as grandes matam...
O amor é cego.
Mas cura-se com o casamento
Há que dar tempo ao tempo
Mais?... quer dizer, o tipo já tem o tempo todo e temos que lhe dar o pouco que ele nos deu? Não posso compreender esta generosidade cuja única hipótese é devolver exactamente o que nos deu com a constante sentença de não ficarmos sequer com o tempo que "foi" nosso. Naturalmente, todos se afirmam como não tendo tempo quando, na verdade, o tempo nunca foi deles e, pior ainda, feita a pergunta certa, todos se afirmam cheios de tempo, por exemplo: conheço muitos que dizem ter mais de 20 anos e, no entanto, não têm 5 minutos. Só me resta concluir que são uns arrogantes por terem tanto tempo e egoístas que nem me dão 5 minutos que, afinal, não são deles!...
Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.
Bom... se a perder apenas num minuto ainda não é mau. Mas tenho de a encontrar logo porque consta por aí que quem perde a vida por mais que 15 minutos nunca mais a encontra.
Amigo não empata amigo.
Muito infelizmente é verdade, há sempre um que ganha, portanto ninguém empata.
quinta-feira, 6 de outubro de 2005
100 senso comum
Onde se chora não cantes.
Até porque ficas sem saber se é por cantares ou não...
Quem mal cospe duas vezes se alimpa.
É tudo uma questão de treino, arte e engenho. Cuspir não está ao alcance de qualquer um sem o devido treino. A arte é mais uma questão de maneira de ser, enquanto o engenho obtém-se pela técnica e estudo das condições do meio e dos instrumentos (boca, língua e matéria-prima).
Boi velho, rego direito.
Nem todos, há por aí muitos que acabam com o rego torto. Mas cada um faz o seu ou pede que lhe o façam. Correndo graves riscos os segundos.
Se vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho.
Sobretudo pelo risco de teres olhado para o espelho e não pela janela.
Nem tanto à terra, nem tanto ao mar.
Em suma, é a levar com as ondas que se está bem? pois pois...
Bónuns: Mais vale cão vivo que leão morto.
Por acaso prefiro ter o leão morto do que o cão vivo, é que o primeiro já não morde.
Até porque ficas sem saber se é por cantares ou não...
Quem mal cospe duas vezes se alimpa.
É tudo uma questão de treino, arte e engenho. Cuspir não está ao alcance de qualquer um sem o devido treino. A arte é mais uma questão de maneira de ser, enquanto o engenho obtém-se pela técnica e estudo das condições do meio e dos instrumentos (boca, língua e matéria-prima).
Boi velho, rego direito.
Nem todos, há por aí muitos que acabam com o rego torto. Mas cada um faz o seu ou pede que lhe o façam. Correndo graves riscos os segundos.
Se vires as barbas do vizinho a arder, põe as tuas de molho.
Sobretudo pelo risco de teres olhado para o espelho e não pela janela.
Nem tanto à terra, nem tanto ao mar.
Em suma, é a levar com as ondas que se está bem? pois pois...
Bónuns: Mais vale cão vivo que leão morto.
Por acaso prefiro ter o leão morto do que o cão vivo, é que o primeiro já não morde.
Quase
Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez, é a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver o outono.Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassados, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!
[de Luís Fernando Veríssimo]
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver o outono.Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.Pros erros há perdão; pros fracassados, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!
[de Luís Fernando Veríssimo]
terça-feira, 13 de setembro de 2005
Oração Árabe sobre a amizade
Desejo a todos os inimigos dos meus amigos que:
"Que as pulgas de mil camelos infestem o meio das pernas da pessoa que pense em arruinar o seu dia, e que os braços sejam curtos demais para coçar!
Amém!"
"Que as pulgas de mil camelos infestem o meio das pernas da pessoa que pense em arruinar o seu dia, e que os braços sejam curtos demais para coçar!
Amém!"
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
[6] A família reciclante
O caso da família que consome e vive do lixo urbano não é novo, remonta talvez às primeiras grandes manifestações da sociedade capitalista. Não é de esperar encontrá-la em cidades pouco desenvolvidas. Este caso passa-se num subúrbio de Paris. Devido ao poder de compra desta sociedade e à facilidade de alheamento dos pequenos utilitários domésticos, verifica-se sistematicamente a coexistência de pessoas com esse lixo. Além de o reutilizarem, estas pessoas comem algum e requalificam o outro. Pode o leitor achar nauseabundo este procedimento mas a verdade é que o comum mortal da urbe desenvolvida deita fora diariamente alimentos ainda frescos. Outro garante bastante comum, talvez o mais importante, é o lixo resultante de superfícies comerciais como supermercados e hipermercados – nestes obtém-se grandes quantidades de frutas e legumes que não apresentando os limites mínimos de qualidade para estar numa prateleira, são ainda comestíveis bastando apenas remover a parte podre.
Maioritariamente, este procedimento é praticado por mendigos e pelos sem-abrigo mas existem também pessoas da classe média com emprego e ordenados razoáveis a praticar estes métodos. Fazem-no porque é economicamente aliciante, encaram-no como um desafio e uma postura moderna perante a sociedade. São estes últimos que pretendemos retratar mais tarde.
Maioritariamente, este procedimento é praticado por mendigos e pelos sem-abrigo mas existem também pessoas da classe média com emprego e ordenados razoáveis a praticar estes métodos. Fazem-no porque é economicamente aliciante, encaram-no como um desafio e uma postura moderna perante a sociedade. São estes últimos que pretendemos retratar mais tarde.
quarta-feira, 17 de agosto de 2005
sábado, 23 de julho de 2005
Carta a Meus Filhos sobre os Fuzilamentos de Goya
(por Jorge de Sena)
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando
lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer uma delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu
semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anónimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos,
apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum juízo final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam "amanhã".
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando
lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer uma delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu
semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse com suma piedade e sem efusão de sangue.
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anónimamente quanto haviam vivido,
ou as suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos,
apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê-la.
É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para que um só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum juízo final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam "amanhã".
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.
sexta-feira, 22 de julho de 2005
Gestão da(s) expectativa(s)
Estamos reduzidos à gestão da(s) expectativa(s).
O que se espera de nós é que sejamos absolutamente nada para nos poderem acusar disso mesmo e, assim, não termos correspondido com as expectativas.
Paradoxal? sim, mas ainda fica pior!.
Estamos reduzidos à gestão da(s) expectativa(s) e nem nisso somos bons: escolhemos as piores expectativas para gerir e gerimo-las mal.
Esperam que sejamos isto e aquilo sem nunca nos darem condições para o ser e, portanto, poderem dizer que não merecemos as ditas condições porque, na verdade, não cumprimos com as expectativas. Colocando a irritante cereja do: "pois, já sabia que não chegavas lá!".
Se já sabem, então porque dizem que tinha "expectativas"! Quando o que tinham é expectativas de não atingirmos os objectivos, de sermos nada.
A conclusão não é simples e é-o ao mesmo tempo. É que afinal, nós cumprimos com as expectativas de ser nada porque são essas as condições que criaram para nós.
No entanto, só o é, porque nós optámos por gerir essas expectativas: as piores. Portanto, aí sim, estamos dependentes das condições que os outros criam para nós. E se não fosse assim? Como seria?
Aqueles que criam as suas próprias condições garantem o seu sucesso e são vistos como loucos ou privilegiados ou ambos! E acabam por ganhar um estatuto (seja qual for o lado para o qual tenda a perspectiva anterior) que os coloca fora de alcance ao comum dos mortais: ou por não querer ou por não poder (ser louco e ser privilegiado, respectivamente).
Em suma, é tudo uma fantochada, uns cumprem com as expectativas dos outros que, por usa vez, os acusam de nunca o terem feito: "ah e tal, eu quando tinha a tua idade também n tinha recursos e safei-me na mesma!"
Os outros queixam-se que não lhes dão as condições: "ah e tal, eu não tenho como é querem que faça? Não me digam que estão à espera que seja eu!"
Nota: Produto da pressão ao comentário, este texto evoluiu para o contra-senso cujo sumário é impossível na medida em que o autor se perdeu nele mesmo chegando aos >1000 caracteres: o limite castrador dos comentários não sucintos, logo, n produtivos enquanto (simples) comentário.
O que se espera de nós é que sejamos absolutamente nada para nos poderem acusar disso mesmo e, assim, não termos correspondido com as expectativas.
Paradoxal? sim, mas ainda fica pior!.
Estamos reduzidos à gestão da(s) expectativa(s) e nem nisso somos bons: escolhemos as piores expectativas para gerir e gerimo-las mal.
Esperam que sejamos isto e aquilo sem nunca nos darem condições para o ser e, portanto, poderem dizer que não merecemos as ditas condições porque, na verdade, não cumprimos com as expectativas. Colocando a irritante cereja do: "pois, já sabia que não chegavas lá!".
Se já sabem, então porque dizem que tinha "expectativas"! Quando o que tinham é expectativas de não atingirmos os objectivos, de sermos nada.
A conclusão não é simples e é-o ao mesmo tempo. É que afinal, nós cumprimos com as expectativas de ser nada porque são essas as condições que criaram para nós.
No entanto, só o é, porque nós optámos por gerir essas expectativas: as piores. Portanto, aí sim, estamos dependentes das condições que os outros criam para nós. E se não fosse assim? Como seria?
Aqueles que criam as suas próprias condições garantem o seu sucesso e são vistos como loucos ou privilegiados ou ambos! E acabam por ganhar um estatuto (seja qual for o lado para o qual tenda a perspectiva anterior) que os coloca fora de alcance ao comum dos mortais: ou por não querer ou por não poder (ser louco e ser privilegiado, respectivamente).
Em suma, é tudo uma fantochada, uns cumprem com as expectativas dos outros que, por usa vez, os acusam de nunca o terem feito: "ah e tal, eu quando tinha a tua idade também n tinha recursos e safei-me na mesma!"
Os outros queixam-se que não lhes dão as condições: "ah e tal, eu não tenho como é querem que faça? Não me digam que estão à espera que seja eu!"
Nota: Produto da pressão ao comentário, este texto evoluiu para o contra-senso cujo sumário é impossível na medida em que o autor se perdeu nele mesmo chegando aos >1000 caracteres: o limite castrador dos comentários não sucintos, logo, n produtivos enquanto (simples) comentário.
MENTAL OBESITY
(Por Prof. João César das Neves |Fonte: Diário de Noticias em 22/03/2004 (Portugal))
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita paraque é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.»
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, (...) a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»
O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita paraque é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.»
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, (...) a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»
quarta-feira, 6 de julho de 2005
100 senso comum
Uma desgraça nunca vem só.
Coitada, já não basta ser desgraça ainda tinha de andar sozinha!
Tudo o que vem à rede é peixe.
Excepto tudo o resto.
Quem tem boca vai a Roma.
E quem não tem carro vai a pé.
Quem tarda não erra.
Quem tarda não chega sequer a tentar.
Esperança é a última a morrer
Mas morre!
Coitada, já não basta ser desgraça ainda tinha de andar sozinha!
Tudo o que vem à rede é peixe.
Excepto tudo o resto.
Quem tem boca vai a Roma.
E quem não tem carro vai a pé.
Quem tarda não erra.
Quem tarda não chega sequer a tentar.
Esperança é a última a morrer
Mas morre!
segunda-feira, 4 de julho de 2005
100 senso comum
De noite todos os gatos são pardos.
É uma das grandes maravilhas da natureza mas apenas comprovada em teoria já que nunca ninguém assistiu a essa magnifica metamorfose. Na verdade, eu próprio sempre que tentei, assim que acendia a luz para lhe ver a cor, o raio do gato passava a outra cor que não o pardo. A mim parece-me que se trata de um processo que é mais rápido que a própria luz ou, pelo menos, que a minha reacção entre querer ligar a luz e até a lâmpada acender.
Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.
Bom... se me deito cedo (cedo = a uma localização relativa no tempo) e me levanto cedo (a mesma unidade anterior) dá... corta, corta, noves fora... nada! Não durmo. Coisa que me perdoem os sabidos mas não dá saudinha nenhuma!
Entre mortos e feridos alguem há-de escapar.
Se calhar sou só eu, mas entre os mortos e feridos não escapou nenhum! Digou eu..
Há remédio para tudo menos para a morte.
Pois, ora aqui está um mal do qual todos padecemos e para o qual a ciência nunca encontrou solução. É que, de facto, nós não morremos das doenças, para essas há curas. Nós morremos de morte, nada mais. O que se passa é que o remédio das doenças mortais é ela própria: a morte. Que, por sua vez, não tem remédio.
Hora a hora, Deus melhora.
E eu na mesma, quer-se dizer-se. Farto-me de trabalhar e fico eu na mesma e esse camandro melhora! Não faz sentido nenhum e a culpa é do sistema.
É uma das grandes maravilhas da natureza mas apenas comprovada em teoria já que nunca ninguém assistiu a essa magnifica metamorfose. Na verdade, eu próprio sempre que tentei, assim que acendia a luz para lhe ver a cor, o raio do gato passava a outra cor que não o pardo. A mim parece-me que se trata de um processo que é mais rápido que a própria luz ou, pelo menos, que a minha reacção entre querer ligar a luz e até a lâmpada acender.
Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer.
Bom... se me deito cedo (cedo = a uma localização relativa no tempo) e me levanto cedo (a mesma unidade anterior) dá... corta, corta, noves fora... nada! Não durmo. Coisa que me perdoem os sabidos mas não dá saudinha nenhuma!
Entre mortos e feridos alguem há-de escapar.
Se calhar sou só eu, mas entre os mortos e feridos não escapou nenhum! Digou eu..
Há remédio para tudo menos para a morte.
Pois, ora aqui está um mal do qual todos padecemos e para o qual a ciência nunca encontrou solução. É que, de facto, nós não morremos das doenças, para essas há curas. Nós morremos de morte, nada mais. O que se passa é que o remédio das doenças mortais é ela própria: a morte. Que, por sua vez, não tem remédio.
Hora a hora, Deus melhora.
E eu na mesma, quer-se dizer-se. Farto-me de trabalhar e fico eu na mesma e esse camandro melhora! Não faz sentido nenhum e a culpa é do sistema.
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