quarta-feira, 9 de junho de 2004

Toda a gente sabe e ninguém faz nada - somos todos cúmplices!

Recebi (parece-me que com atraso de uns mesitos) os seguintes correios:

"Entre Março de 2003 e Março de 2004, o Município Lisboeta adquiriu 11 viaturas topo da gama no valor de 600.000 euros. Nove da marca Peugeot a quase 50.000 euros cada, um Lância Thesis de igual valor e um AudiA8 4.2 V8 Quattro de 115.000 euros. Acresce registar que o Audizito consome 19,6 litros de gasolina em circuito urbano! Segundo Santana Lopes foi um bom negócio, visto que, e segundo ele, o seu antecessor gastou mais dinheiro. Os carros substituídos não estavam velhos, tinham três anos! Porquê este despezismo, estando o país na situação económica em que está?Carros topo da gama com três anos, são carros velhos? João Soares deixou um Volvo S80. Será que este carro com três anos não está em condições de circulação? Porquê a necessidade de um Presidente de Câmara circular num Audi A8 4.2 V8 Quattro? Ainda por cima num país que está de tanga! O Lância Thesis foi para a vereadora do PSD Teresa Maury e os Peugeot para os outros colegas de partido. O vereador do PS, Vasco Franco continua com o seu Laguna de 99 e o seu colega do PCP, António Abreu também continua com o seu laguna de 98!Giro não é?"

"23 mil contos! Qualquer coisa como 115 mil euros. Foi este o preço que a Câmara de Lisboa deu para o carro do seu presidente Pedro Santana Lopes. Um Audi idêntico ao do Presidente da República."

Volto a citar o meu amigo Lagarto: por favor VACINEMO-NOS! Porque é que toda a gente sabe e ninguém faz nada?

sábado, 5 de junho de 2004

afundo-me algures, michael jordan

O fundamento fundamental fundamenta o fundamentalismo.

quinta-feira, 3 de junho de 2004

quarta-feira, 2 de junho de 2004

ainda não nos tinhamos lembrado desta

"apetece-me cagar...cagar e borrar-me todo...e encher isto tudo de merda!"

segunda-feira, 31 de maio de 2004

Hoje o Sol piscou-me o olho! Não estava à espera desse piropo, mas a verdade é que me exaltou de tal forma o ego que o espelho pela manhã se recusou a devolver-me o meu rosto. Deve tê-lo guardado para pintar um retrato cubista, com certeza; é uma mania antiga que se lhe ficou do antigo dono. E então sorri. Aliás, ri, ri a bandeiras despregadas, gargalhei até não poder mais. Bom, eu até podia mais, mas o vizinho de cima, batendo insistentemente com um pau de vassoura no chão, fez-me recordar que as seis da manhã não são boas horas para despregar bandeiras e muito menos para gargalhar.
Se me piscou o olho, pensei então já mais composta, das duas uma: ou algum vento solar lhe introduziu um neutrino em dito órgão, ou eu lhe despertei algum interesse. Fiquei-me generosa e humildemente pela segunda hipótese. E devo ter acertado, a ver pelo comportamento do espelho.
Isto tudo para dizer que hoje estou feliz. Ou melhor, que hoje sou capaz de ver que sou feliz. Sou feliz!

sobre blogs

digam merda, enfrasquem-se!

droguem-se

e escrevam

excertos de livros de ficcao cientifica

sexta-feira, 28 de maio de 2004

e eles ficam, estão e são

Eram 13h27'34'' quando disse:
e circulavam como se de nada se tratasse mas como se da jornada as suas vidas dependessem.






E eles não estavam errados, aliás, não havia errados nem certos, simplesmente havia, ou haviam.

e quando deram por si não estavam... eram! Eles eram!...

e ali se deixaram ficar, estar e ser.
Como de uma só coisa fossem feitos.... e eram-no, de facto: a energia pura.
e ali se deixaram ficar, estar e ser.

Eles eram para todo o sempre, no ontem, no hoje e no amanhã.
Porque no ontem ninguém pode ficar, estar e ser - tudo em um.
Porque no amanhã ninguém pode ficar, estar e ser - tudo em um.
Porque só no hoje alguém pode ficar, estar e ser. Tudo em um!

Por isso hoje fico, estou e sou. E isto é o meu presente. Tenho de aproveitar, é o meu presente.

eram 13h29'42'' quando disse:
Bem hajam

quinta-feira, 27 de maio de 2004

Fundo

Gosto, gosto deste! Não é demasiado harmonioso, é o melhor! O mais adequado!! Muito bem!

Que bom

Que bom é estar de volta! Vejo a festa, os comentários, os sorrisos no rosto das pessoas por causa do Porto. Ouço-as a dizer "gostava muito de ter estado no Porto ontem, a festejar!" Que bom é voltar a casa, às caras conhecidas, aos locais onde nos sentimos bem e seguros! Eu não tenho muito para contar...afinal foram só quatro dias e em quatro dias não acontece muita coisa, pelo menos muitas coisas das quais queira falar...mas só queria mesmo dizer, que bom é estar de volta às caras conhecidas e que não nos farão mal algum!

Que bom é estar de volta!

sento-me no jardim e penso na vida, hoje

Era meia noite em ponto menos 1 segundo! O sol raiava por entre as nuvens e um homem sentado num banco de pau de pedra, a ler um jornal sem letras à luz de uma candeia apagada, muito bem calado assim dizia: - "Ó lua que vais tao alta, redonda que nem um tamanco; por esta parede acima, sobe um caracol pra baixo; mais vale morrer que falecer, e a terra é uma esfera quadrada que gira parada por entre todas as constelações do Oceano Pacífico".
Não é exactamente assim que diz o homem... Talvez o cenário também não seja exactamente este... Abandona-se-me a memória. Afligir-me-ei?

quarta-feira, 26 de maio de 2004

Os mais velhos nunca conseguiram entender o que era a internet. Provavelmente porque os mais novos nao se interessaram por lhes explicar. A tecnologia avançou mais depressa que as mentes: a distância entre um informado e um leigo atingia quase dimensões genéticas. Para além disso, a sociedade da informação nunca chegou a reger-se por um sistema democrático: a estratificação do conhecimento era tão ou mais evidente que a estratificação económica. E em cada novo dia, os que tinham acesso aos meios informativos aumentavam o alcance do seu conhecimento, ao passo que os milhares de “desinformados” se afundavam ainda mais na sua ignorância.
A milenar sentença “Bem-aventurados os pobres de espírito” deixou de ter aplicação prática nos princípios do século XXI. Os pobres de espírito deixaram então de ter um lugar no mundo e nem o mundo podia gerar mais chão para essa gente. Os novos espaços que iam surgindo eram virtuais, fechados à percepção dos simples. A televisão manipuladora, era o instrumento principal de repressão, de tortura e anulação das mentes. As suas vidas seguiam em função das imagens que diariamente eram meticulosamente escolhidas para os programas televisivos. O fruto proibido do conhecimento nem necessitava ser proibido: para os simples o mundo do conhecimento pura e simplesmente não existia. Ditadura informativa 98 % eficaz!

sábado, 22 de maio de 2004

E porque estrume não é caca

É tertúlia, podem ser difterias criativas ou escorrências filosóficas ou desabafos fermentados.
É bocks, águas, "prato!...".
É Terminal e marisco estragado.
É ahrham e outros que tais.
Ter saudades da fartura de uma vivência que não volta mas, com base nessa, construir outra aproveitando esta que não voltará.

E assim vamo-nos deixando de ouvir na mesma medida em que nos deixam falar.

E a "água" será o meio e o fim. O meio para o "deixei de te ouvir" mas o fim em si mesma para, assim, outro se ouvir ou simplesmente partilhar o momento de beber estando.

sexta-feira, 21 de maio de 2004

Falto-me

Falta-me algo.
O olhar que me devolve o espelho é de interrogação. Pergunta-me algo a que eu não sei responder. E não é só um, são milhares. São milhares de olhares que eu vejo nesse reflexo. São todos os olhos do mundo postos em mim, são todos os juízos do mundo julgando aquilo que sou.
Falta-me algo.
Onde estou não é presente porque o presente nunca me chega. Onde estou não é pergunta, porque fui eu que escolhi este lugar. Mas a verdade, a gélida e branca verdade, é que não me encontro nesse sítio que eu escolhi.
Falta-me algo.
E não é um espírito de descoberta que desperta em mim cada manhã. É um espírito de desilusão pelo que há por saber. Como se o que não se sabe, não viesse a saciar nem um pouco a espectante curiosidade que me assola. Como se o que não se sabe, eu soubesse já que não me chega.
Falta-me algo.
Falta-me sobretudo o que tenho, porque o que não tenho já é negado por esses olhares, já é passado pela minha ausência, já é desilusão pela minha espectativa. Falta-me algo que tenho, porque não o encontro dentro de mim.

Avante Camarada!

Lutar contra os juízos imperfeitos, a reverberação imperfeita ecoante de uma mente ruidosa, os conceitos transformados em pré pela imperfeição da paixão em luta vencedora sobre a razão, lutar, lutar, lutar! E o espaço é maior que tudo isto, no fim de um dia abafado...

terça-feira, 11 de maio de 2004

Da loucura roubada pelos Sábios

Os loucos abrem os caminhos que depois emprestam aos sensatos. [Carlo Dossi]

Ah, loucura! Que nostalgia, que droga viciante a de Ser isento da, insensível à, representação que os demais detêm de mim.
São meus os gritos de guerra contra o vácuo invisível e contra a massa inerte.
E tantas vezes me bato em titânicas lutas que o efeito produzido é a anestesia e me perco sem saber onde me encontro. No vazio invisível? Na massa inerte? Ou num qualquer limbo intermédio? Ou não?...

Quero ser louco, não (apenas) porque me seduz ou porque estou viciado na loucura, mas porque escolho ser e escolho-o na harmonia da eterna e ilimitada possibilidade de Ser o que quero Ser na vontade de cada dia sempre programada na eventualidade de não uma mas várias vidas.

Mas escolha consciente pela loucura é a própria negação dela. O paradoxo do actuar inconscientemente consciente.

Se a loucura pode ser entendida como inconsciência, quero ser loucamente consciente. Consciente de todas as possibilidades mas mais ainda que a possibilidade do estar onde estou, do ser quem sou, é resultante de uma escolha consciente - minha.

Porque nos construímos em relações de afectividade e aprendisagem, apreendemos, portanto, aquilo que nos rodeia. Não nego a possibilidade (até a quase certeza) de o processo ser inconsciente mas luto, insurjo-me e defendo a minha possibilidade de escolha de Ser. Não me nego a mim mesmo mas se não me posso construir, posso escolher quem e o que me constrói e, mais ainda, posso escolher não Ser o que sou agora.

Uma loucura que, por existir na dualidade do ser e do existir, é-o na dualidade do pensar e do sentir.
Se até hoje nunca escolhi ser quem agora sou, pelo menos agora posso escolher se quero continuar a ser quem sou hoje.

Inconsciente é não ter conhecimento da hipótese de escolha e, portanto, não saber que a pode fazer (a escolha) - a bela mas cara ignorância; e ela acaba por formar-se por força das circunstâncias, da casualidade e da impaciência da progressão, aparentemente linear, do tempo.

Conscientemente inconsciente é ter conhecimento da hipótese de escolha mas não a tomar - a opção pela alienação mental, coisa repugnante; e ela acaba por formar-se por força das circunstâncias, da casualidade e da impaciência da progressão, aparentemente linear, do tempo.

Consciente é ter conhecimento da hipótese de escolha mas persegui-la insistentemente - uma obsessão mais paralisante que actuante, coisa deprimente; e ela acaba por formar-se por força das circunstâncias, da casualidade e da impaciência da progressão, aparentemente linear, do tempo.

Inconscientemente consciente é ter conhecimento da hipótese de escolha mas saber que o sou eu que opto mesmo que só em retrospectiva. Pretendo a loucura que me coloca em perturbação mental (daí a inconsciência), permanente ou passageira, na qual se regista não a anulação da personalidade individual mas a construção dela (daí a consciência); e ela (a escolha) acaba por formar-se por força do ser aliada à manipulação das circunstâncias, da casualidade e da impaciência da progressão, aparentemente linear, do tempo.

Correr o risco da loucura é, como diz Dossi, preparar caminhos de futuro mas numa liberdade responsável. É admitir que o impossível é uma possibilidade limitada que só existe porque ninguém descobriu quais os seus limites.

Se antes havia menos acesso a recursos, se havia menos possibilidades e menos tempo livre, então porque me deixo constantemente recair na ridícula auto-comiseração do "antes é que era bom"? Posso continuar a acreditar que se fazia mais e melhor mas como posso acreditar que isso se deve unicamente às circunstâncias de antes se eu próprio as vejo como sendo melhores agora?
Não posso!
Como é duro apontar o dedo a mim mesmo, como é redundante e nada original o meu mea culpa!
Pior: como é banal o papel de vítima de mim mesmo e mais banal ainda o das circunstâncias.

A experiência não é aquilo que nos acontece. É o que fazemos com aquilo que nos acontece. [Aldous Huxley]

Eu sou aquilo que me acontece, sou o que faço com aquilo que me acontece.
Eu não posso ser aquilo que me acontece. Recuso-me veementemente!
E que morra se me nego! Pois vivo já não estaria apenas existiria!

Quero o Ipiranga da pobreza de espírito mas não círculo vicioso que rendunda no eco fossilizado e que apenas tem o (des)mérito de deixar a massa inconsciente perplexa e, ou, chocada(Antônio dos Santos: O Grito do Ipiranga: um Grito sem Eco?).

Assim deve ser convosco; mantenham-se loucos, mas comportem-se como pessoas normais. Corram o risco de ser diferentes - mas aprendam a fazê-lo sem chamar a atenção. Concentrem-se nesta flor e deixem que o verdadeiro Eu se manifeste. Veronika Decide Morrer [Paulo Coelho]

Aprender a fazê-lo, usando palavras emprestadas, recorrendo à delicada arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado subtil de se deixar distinguir. (Paul Ambroise Valery).

A massa nunca gostou (nem gosta) de ser confrontada directamente mas sempre se deixou fascinar pela diferença e, sobretudo, pela diferença dos loucos, embora muitas vezes negando-a, repudiando-a.

Bem haja,

É madrugada ou alucinação

Ver tudo com a pequenez cosmológica deste espaço, relativizar, existir com a leveza da contemplação. Isto é o meu budismo, a minha linha etílica de pensamento em circunstâncias sensitivas.
Às vezes, encontrar uma caneta à mão quando um jorro fortuito e instantâneo surge, parece quase extático mas depois, o jorro é mais vómito. Ou mesmo estrume visceral. E retomo o andamento torpe, sóbrio do caminho.
A embriaguez é a minha alegoria cavernosa, a lucidez do absurdo, a leveza, o silêncio e a paz.

quinta-feira, 22 de abril de 2004

O que faz falta é LUCIDEZ

Ele há de tudo: de reis a princesas, de padres a sacristãos. O que têm em comum? Pertencem à "Classe Política". Sim, sim... temos a classe baixa, a média-baixa, média (em vias de extinção), a média-alta, a alta, o jet-7 e a classe política. São uma praga: cada vez há mais a fazer menos. Reunem-se em obscuras sessões de discussões profanas, a decidir os destinos do mundo. Têm outra coisa em comum: todos mandam, independemente da posição na hierarquia política. Veja-se o exemplo do Sr. Aznar (ex primeiro-ministro espanhol), que imbuído de um estranho espírito de salvação da pátria, telefonou ao Sr. Bush para se desculpar da lamentável atitude do seu chefe de governo (Sr. Zapatero) de retirar as tropas espanholas do Iraque. Porque é que o Cavaco Silva não me telefona a mim, a pedir-me desculpa pela bacorada da compra dos submarinos, levada a cabo pelo Portinhas?
Bom, não sei o que achais... mas eu pessoalmente vivo melhor sem eles. Não voto pela anarquia, de modo algum, mas sim por verdadeiros governos. Lamentavelmente não tenho conhecimento de nenhum elemento da classe política com capacidade para desenvolver um governo verdadeiro. Ah, esquecia-me do nosso Saramago... mas esse, apesar de ser candidato a deputado europeu, não pertence à classe política. O que faz falta não é animar a malta... o que faz falta é LUCIDEZ! Tens razão Saramago!

terça-feira, 20 de abril de 2004

Activistas e Consciência Global

Notícia no jornal "Público on line" de hoje:
"20-04-2004 - 17h00
Sociedade
Activistas apelam à indústria química que desista de experiências em animais"

Pergunto-me o que serão, para estes activistas, "animais". Uma pulga do mar é um animal? Uma larva de mosca é um animal? Porque é que eu nunca vi nenhuma manifestação contra as experiências genéticas em moscas da fruta?
E já agora, que mal fizeram as plantas a estes activistas para que elas nunca sejam defendidas contra essas ditas "experiências"?
Gostaria que algum dia todos conseguissemos ter uma visão universal da vida; do papel que cada elemento vivo joga no sistema das relações entre seres vivos. Gostaria que algum dia os activistas concentrassem as suas forças em exigir sistemas de investigação mais justos para todos: todos os elementos vivos, e não só os gatinhos, os cãezinhos ou os macaquinhos... Gostaria que esses activistas saíssem à rua a pedir um controle da produção de alimentos transgénicos, não porque não se sabe se vão fazer algum mal à nossa preciosa saúde, mas sim porque são uma ameaça tremenda à biodiversidade.
Por todos os lados se fazem reivindicações radicais, pensando no hoje e raramente pensando no amanhã. Porque se hoje parassem as experiências toxicológicas em animais, estaríamos a passar uma certidão de óbito a grande parte dos seres vivos cujo habitat se situa nas imediações de grandes centros urbanos.
Que se façam reivindicações conscientes e justas. Que não sejam só para tranquilizar as nossas mentes, que sejam realmente a pensar no futuro, de todos.

.

em Há Tesouros por toda a parte Bill Waterson.

[Será por isso que já ninguém diz nada?]

quinta-feira, 1 de abril de 2004

Internacionalizemos a Amozónia... ou não...

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos, o ex-governador do Dfe, o actual Ministro da Educação Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia. O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e nco de um Brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:

"De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra Internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua Internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a Internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas a França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas pegas produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele,
Um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixa-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a Internacionalização do mundo. Mas, enquanto mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!".


Este artigo nunca foi publicado(!) mas, independentemente de ter tido lugar numa qualquer conferência numa qualquer universidade num qualquer canto escuro e esquecido ou tratar-se de uma simples história,... dá que pensar...